— Cláudio, acorda. Duas da manhã, o telefone tá tocando. É aquela mulher de novo, Cláudio? — Mu-mu-lher? Que mulher? Como você sabe que não é nosso filho ligando pra dar um alô? — Porque a gente não tem filho, Cláudio. — Você sempre se prendendo a detalhes. Existem inúmeras explicações plausíveis para o fenômeno. Por exemplo, você fez […]

— Bom dia. Então. Por que o Senhor veio até mim? — Eu nao vim, eu estou. Estou aqui, estou na sala de espera, estou dormindo com a Luana Piovani, vendendo sacolé na praia, vendo a aurora boreal e participando do American Idol. Aliás, por conta da idade, sempre me confundem com o Steven Tyler. […]

Ao longo dos séculos os cientistas têm se debruçado sobre a questão de como o homem começou a falar, sem alcançar uma resposta definitiva. E isso por um erro epistemológico crasso: nunca perguntaram a mim. Conhecedor das verdades ontológicas últimas e decifrador das letras de Djavan, obviamente sei como tudo se deu. E se não […]

– Maria Helena, acorda, Maria Helena! – Hmmm… – Maria Helena! Acorda! – Aspargos azuis sobre o Berlusconi de saia… – Maria Heleee-ná! – Que… Que foi? Quem morreu, Ernesto? – Eu preciso saber, Maria Helena. – De novo? Já disse que foi num final de semana em Búzios, você tava em São Paulo, o […]

ANTÔNIA Aquele homem tá seguindo a gente, Adalberto. ADALBERTO Pra onde? ANTÔNIA Perseguindo, Adalberto. Ele tá perseguindo a gente. ADALBERTO Veja você a diferença que faz um prefixo… ANTÔNIA Quê? ADALBERTO “Que” é preposição. Tô falando do prefixo. De “seguindo” pra “perseguindo” vai a distância que separa o código penal do código de trânsito. Que […]

Ultimamente não tenho me dedicado a esporte outro além do xingamento de parlamentares a distância e o arremesso de fraldas sujas ao cesto. Cheguei, inclusive, a elaborar um mix das duas modalidades e inventar o arremesso de fraldas sujas em parlamentares – invenção que não teve futuro, porque, preconceituosas, as fraldas sujas se recusaram a se […]

Após esses quatro meses de ausência, todos devem estar curiosos para saber as novidades da vida de pai. E é sem rodeios que digo ser preciso ter um filho para dar total razão a Freud—e não apenas razão, como também inconsciente e subconsciente. Sim, porque, nesses primeiros quatro meses de vida, meu herdeiro tem se […]