Arquivo mensal: fevereiro 2007

PELO JEITÃO

Algumas expressões dizem tudo. Outras, são apenas chavões, que se repetem à exaustão, usadas por cronistas inábeis. Caso, por exemplo, da que abre este texto. Recomecemos… Algumas expressões têm o poder de resumir, em poucas palavras, um conceito que, de outra maneira, só poderia ser dito num período longo, tediosamente separado por vírgulas, fátuo e […]

NO CLUBE

— Não, aquilo não é normal. — Não aponta, Afonso. Olha o vexame. — Mas aquilo não é normal, minha filha, tô lhe dizendo: não é! — Afonso, o sujeito tem o órgão sexual, digamos, um pouco desenvolvido, só isso. — Um pouco desenvolvido? Um pouco desenvolvido é o PIB de Cuba, Ana Sílvia. Aquilo […]

NOIVADO

— Maurício, tua camisa tá pelo avesso. — Eu sei. Vamos? — Como “vamos”? Você vai sair com a camisa pelo avesso? — Que é que tem? — Isso é uma pergunta retórica ou é preciso mesmo responder? — Você é muito ligada a valores convencionais, querida. Precisa se soltar mais. Subverter a lógica, relaxar. […]

O DRAGÃO

— Vem, Ari, tira o cinto… — Pronto, pronto. — Chega mais perto, chega… Abre o zíper… — Assim? — Isso, Arizinho, baixa a calça… Agora, a cueca… Isso… iss… Ariovaldo? O que é isso, Ariovaldo?!! — Meu pinto, ué! — Não, Ariovaldo, em cima do pinto! — Fimose? — Ariovaldo, meu Deus do Céu, […]

TERAPIA DE CASAL

TERAPEUTA: E então, o que os traz aqui? CÉLIA REGINA: O Aurélio, doutora. TERAPEUTA: Aurélio? Mas eu pensei que o senhor se chamasse Euclides. EUCLIDES: E me chamo, doutora. Aurélio, no caso, é o dicionário. TERAPEUTA: Quê? CÉLIA REGINA: É o seguinte, doutora, o Euclides, ele fala “nincho de mercado”. EUCLIDES: Veja a senhora, doutora: […]

O QUEIXO

— Por que é que cê tá com essa cara aí, olhando pro nada, todo amuado, Adamastor? — O queixo. — Ai, meu Deus, machucou o queixo, Totozinho? Vem cá, vem, que eu dou beijinho. — Não, não, o queixo como conceito. — Ahn? Que é que cê disse? — Fico pensando… De onde será […]

A DIFÍCIL ARTE DE AGRADAR AS MULHERES

— Está tudo acabado, Menezes. — Ahn? Como assim? — Assim, acabou, chegou, deu. Não quero mais viver com você. — Você deve estar brincando, Maria Luísa! Posso saber por quê? — A verdade é que você, Menezes, você… — Eu não tenho sido bom, compreensivo, amigo, companheiro, carinhoso? — Tem, tem. E isso é […]