A FALA E A EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE

Fala

Segundo os antropólogos, o homem levou milênios para desenvolver o aparelho fonador, outros tantos séculos para emitir sons distinguíveis, algum tempo mais para elaborar um vocabulário e, finalmente, poucos segundos para dizer frases do tipo “Você vem sempre por aqui, benzinho?” e arruinar uma paquera relativamente bem-encaminhada.

Para os estudiosos, a fala surgiu por uma necessidade de organização das tribos primitivas. Afinal de contas, ficava muito difícil expor em desenhos e gestos conceitos como “maximização da caça do javali” e “vestir a tanga da empresa”. Ou seja, a fala surge ao mesmo tempo que o capitalista. Com a diferença de que ela evoluiu e se civilizou.

No entanto, se os homens demoraram tanto para utilizar a voz de maneira racional, a mulher, por outro lado, dada a sua notória desenvoltura na articulação da língua, aprendeu a se expressar através das palavras alguns milênios antes, a ponto de, quando o primeiro sujeito se insinuou para fora da caverna, dando a entender que ia comprar cigarros, e voltou de madrugada, com a clava rachada, ela ter resmungado:

— Hominídeos! Puf! São todos iguais!

Seja como for, uma questão que sempre me intrigou, além do porquê do paulistano votar tão mal, é a da incerteza quanto à circunstância precisa em que se deu o aparecimento da fala.

Por exemplo, fico imaginando aquele momento inaugural, o instante sublime e irreproduzível, quando o homem finalmente, de plena posse de suas capacidades vocais, conseguiu dizer sua primeira frase completa.

— Uhmmrumsms… — deve ter grunhido um primata, certo dia, para o indivíduo que estava ao seu lado, ao redor da fogueira.
— Ramsmans? — perguntou o outro, sem entender.
— Uhmmrumsms! — insistiu o primeiro.
— Ramsmans? — retrucou mais uma vez o segundo.
— Uhmmrumsms! Uhmmrumsms!
— Ramsmans?
— Uhmmrumsms! Uhmmrumsms! Umrumsms!
— Ramsmans?
— TU TÁ SENTADO EM CIMA DA MINHA MÃO, PÔ!

Já o nascimento do pensamento abstrato, supõe-se, ocorre numa segunda etapa do desenvolvimento da fala, já não estritamente associado à sobrevivência ou, antes, em sentido diametralmente oposto.

— Olha o mamute aí! Joga a lança! Joga a lança! — grita um companheiro de caçada a outro, ao ver aproximar-se a presa.
— Não sei, será? — obtempera este. — Por que sempre essa ascendência do material sobre o transcendental? O mamute, enquanto ser vivo, também constitui uma unidade biológica que…
— Joga logo a lança, rapá! Tá todo o mundo na aldeia morrendo de fome, faz dias que não aparece uma caça… Anda! Rápido!
— Mas o que é a fome diante de uma lógica que transcenda o puramente instintivo? É preciso levar em conta a…
— O bicho tá escapando, cacete! Joga logo essa lança, pelo amor de Deus!
— Deus? Ha! Deus não passa de uma entidade abstrata que se presta a apaziguar nossos temores quanto à impermanência do…
— Fugiu, olha aí! Satisfeito, panacão? O mamute fugiu! E agora? Me diga! E agora, o que a gente vai comer?!

E é assim que, segundo algumas fontes, o pensamento abstrato está diretamente ligado ao surgimento da antropofagia.

4 Comentários

  1. Bom dia,Maíla

    Estou lhe enviando algo que encontrei sobre nosso trabalho “A FALA”.

    Bjs no coração…Alessandra/Alê

  2. vlw ^^

  3. bem interessante essa pesquisa ajudo muito no trabalho

  4. gostei da historia shauauhsaush

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