BRAVO, FORTE, FILHO DO NORTE (2)

Bravo2

O mais perto que havia chegado da malhação até aquele dia tinha sido dar uns cascudos num Judas no Sábado de Aleluia. Mas, entrando na masmorra, digo, no recinto destinado aos exercícios, pude sentir, de cara, os efeitos benéficos do lugar: ao pagar a matrícula, meu bolso ficou, imediatamente, pelo menos duzentos gramas mais magro.

Em seguida, algo misterioso aconteceu. E eu, que nunca acreditei na existência de alienígenas, preferindo confiar apenas em seres palpáveis, como o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e o Paulo Maluf — eu, dizia, fui abduzido para uma pequena sala cheia de aparelhos esquisitos.

Ali, um humanóide de dois metros de altura, três de largura e cinco de profundidade apertou meu corpo com tenazes e objetos de procedência desconhecida, segundo disse, para verificar meu índice de gordura — nomenclatura essa de difícil compreensão para os terráqueos, mas certamente de grande utilidade no lugar de onde ele veio.

— Seu índice é muito alto! — falou espantado, ao final de meia hora de inspeção.
— E olha que eu nem me exercito muito — disse eu, sorrindo com orgulho.

Dada a obstupefação da anabolizada criatura, achei que ela havia finalmente encontrado o que procurava e, agradecida, me levaria a seu planeta, juntamente com alguns CDs do Latino, como prova do que de pior a humanidade tinha sido capaz de produzir.

Mas, ao que parece, não a deixei muito satisfeita, pois resolveu me punir, exigindo que eu fizesse flexões de braço, polichinelos e outras acrobacias que estiolariam as bailarinas de Degas.

— Professor, até acho o espetáculo interessante, mas não participo do Cirque du Soleil — fiz questão de esclarecer.
Porém, o indivíduo estava irredutível.
— É pra testar sua resistência — insistiu.
— Minha resistência é total, professor. Não consigo fazer isso — obtemperei.

Ele suspirou, impaciente. Sem outro recurso, me joguei no chão e tentei me dedicar à maldita flexão de braço, xingando Deus, toda a Santíssima Trindade, cinco ou seis anjos, um querubim e o FHC. Este último, só para não perder o costume.

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