CADA UM TEM O SCHILLER QUE MERECE

Schillermerece

Ontem me aconteceu uma catástrofe. Não me refiro, evidentemente, ao fato de que o inverno voltou irascível e com a declarada intenção de purgar os pecados de nordestinos expatriados.

Certo, não é a coisa mais confortável do mundo digitar, como faço agora, com uma mão de cada vez, enquanto esquento a outra sob o sovaco. E, sim, sinto muitas saudades do meu pinto, que sumiu há alguns dias, sem que, até o presente momento, tenha me escrito uma única carta.

Mas o problema não é esse. Andei conversando com alguns patrícios mais experientes, os quais me acalmaram e, pedindo paciência, asseguraram que no máximo em trinta anos já estarei acostumado ao clima paulistano. Isso, claro, na eventualidade de o efeito estufa ser refreado e ainda existir inverno àquela época.

Tampouco fui assaltado ou presenciei qualquer espécie de violência na cidade. O que, de fato, me leva à sensação de que não se pode mais confiar nem mesmo em instituições que, à primeira vista, pareciam constar entre as poucas a funcionarem no país, como o PCC. Mas não chega a ser uma calamidade.

Não. O desastre aconteceu quando escrevia o seguinte texto:

“Fico imaginando FHC soltando puns numa sala fechada.— O que foi isso? — pergunta o atônito assessor, com o rosto lívido.

 

— Flatos — diz o príncipe. — Ou seja, gases, compreende? E por que nosso corpo deixa escapar gases? A digestão, óbvio. Mas, alguém pode perguntar, qual o objetivo da digestão? E eu respondo: o que seria de nós sem ela? Poderia o ser humano viver sem peidorrar? Não. E por quê? Ora…Pronto, foi o que bastou. Desde então a — por assim dizer — música “Adocica”, enviada não sei por que entidade diabril, enfiou-se na minha cabeça para nunca mais sair.

Acreditem, “nunca mais” não é maneira de dizer. Já tentei de tudo: simpatia, sal grosso, reza e até prometi me controlar e nunca mais morder o dedão do pé ao ouvir um diálogo de telenovela.

De nada adiantou. Agora mesmo, o som está ligado e ouço o coral da Nona Sinfonia, que repete, num alemão impecável, os versos famosos: “A-do-ci-ca, meu amor, a-do-ci-ca. A-do-ci-ca, meu amor, a minha viiii-daaaa, ô!”

Suspeito que tenha sido praga. Maldita a hora em que fui falar de FHC.

Antes que acabe a última frase, o assessor está estirado no chão e, meio grogue, cantarola ‘Adocica’. Compreende?”

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