CHEZ LES LEAL (1)

Dias atrás, após negociações intensas com as baratas e algum oferecimento de propina aos ratos, abrimos a mansão para receber convidados ilustres, queridos e simpáticos e Branco Leone também. A reunião foi barulhenta, desnecessária e desagradável. Essa, pelo menos, é a opinião consensual dos vizinhos.

Abaixo, descrevo os cinco momentos mais marcantes do encontro. Coincidentemente, os únicos que restaram registrados depois que a câmera fotográfica, por motivos que só um expert em aparelhos digitais saberia explicar, resolveu se esconder dentro do congelador, de onde foi retirada no dia seguinte com a pele ótima. Não funciona para mais nada, é verdade. Em compensação, é agora a única em sua categoria com duas opções de sabor: acém ou sorvete de baunilha.

 

1. O Surdo e a Fera

Recém-saído da caverna que habita há oito anos, ainda desacostumado à luz e sob influência de substâncias não recomendadas pelo Ministério da Saúde, como Nova Schin quente, Diego Jock medita sobre a natureza dos fótons e sua relação com a filosofia de Heráclito de Éfeso.

Ao lado de Diego e em sua clássica posição Jeannie é um gênio, Branco Leone tenta controlar os efeitos da gravidade sobre corpos embriagados e a queda dos cabelos utilizando a força do pensamento. Não consegue, é óbvio, pois se trata de coisa comprovadamente impossível. Sobretudo para quem é incapaz de produzir qualquer tipo de pensamento.

Por fim, completando o trio, vemos a barriga de Branco Leone, que não só veio, conversou com todos e se divertiu bastante, como quando o Surdo do Cambuci precisou voltar para casa mais cedo por conta de um acidente com seu fraldão geriátrico, permaneceu na festa, divertindo os convivas, sempre simpática.

 

2. Do Amor Entre Iguais e da Lógica dos Números

Aqui, vemos o momento preciso em que Taja Passos demonstra empiricamente dominar a tabuada do cinco para uma Luciana que parece não acreditar muito.

Fala a verdade, quantas você já tomou? pergunta esta.
Só dez sinaliza Taja.

As roupas ao fundo são de Branco Leone e Diego Jock, que, após terem passado a noite conversando, entre risinhos e olhares cúmplices, sumiram durante meia hora e retornaram suados e exaustos. Provável resultado do calor de 14 graus que fazia àquela noite.

 

3. O Trabalho Enobrece as Mulheres

Ah, minha foto preferida! Pega em flagrante comendo bolacha enquanto as convidadas se matavam de trabalhar na cozinha, minha mulher demonstra toda sua capacidade de cooperação e sentido de grupo, além da esmerada educação gaúcha, tradicional, que recebeu. Ao perceber a câmera, alegre, fecha rapidamente a boca e utiliza código visual próprio dela para indicar que terei dores nas costas na manhã seguinte.

A de nuca, ao fundo, é a coitada que teve o desprazer e a imprudência de casar com Branco Leone. E não apenas isso, como convive com ele há mais de sete anos sob o mesmo teto, o que em algumas sociedades é considerado atentado gravíssimo ao pudor e dá até cadeira elétrica. Virou-se de costas e pediu para não ser identificada, porque humilhação também tem limite.

A sem nuca não tenho a mínima idéia de quem seja, pois àquela altura já estava embriagado. Ou ninguém tá vendo a sem nuca? Ali, gente, do lado do jacaré cor-de-rosa. Ora, que jacaré!

Essa foto foi um oferecimento dos colchões Ortobom.

(CONTINUA AMANHÃ)

15 Comentários

  1. A sem nuca é a Sandra! 🙂

  2. Marconi Leal · ·

    É o que o senhor pensa! Há controvérsia. E isso mesmo se verá no post que completa a série amanhã.

  3. Não é nada disso. Explico.

    Depois de algumas latas de Nova Schin, o Branco começou a elocubrar sobre a “água” nos filmes do Tarkovsky. Ficou com vontade de mijar, claro. Foi quando disse, com toda masculinidade que lhe é peculiar: “ai, preciso fazer xixi”.

    Estava se dirigindo à casinha, quando viu que a porta do seu banheiro era de vidro, totalmente transparente, e ficou tímido. Com medo de que alguém o visse ali, sentadinho no trono, me pediu pra que cuidasse da porta.

    Se preparou, ligou a torneira pra ficar fazendo barulhinho de água, e sentou.

    O processo demorou um pouco mais que o esperado, o que fez com que ficássemos suados. Eu, por conta das horas em pé cuidando da porta; ele, pela força feita.

  4. Fica quieto, Jock, que em termos de realidade versus fotografia, eu saí bem melhor que você, apesar de aquilo (eu) se parecer minha mãe de camiseta.
    Marconi, dia desses eu te mostro o Gênio.
    Ah, essas “homenagens”…

  5. Marconi Leal · ·

    Rapaz, essa explicação, vou lhe contar… Era melhor você ter dito que tinham feito sexo, soaria menos gay. Aliás, menos “viado”, pois há uma diferença básica entre os dois. Há muitos machos viados e muitos gays machos, como se sabe. A viadagem independe da opção sexual.

  6. Marconi Leal · ·

    Não precisa mostrar, Branco. Caso tenha curiosidade algum dia, peço informações ao Diego.

  7. Dukaralho essas reuniões e seus resultados.
    Jock está para branco, como Branco está para Jock hehe.
    Abraços para os amigos e beijos para as que não conheço.

    Ah, Branco?: “Deixa de ser neurótico.“

  8. Adoro estes momentos…

    Beijos

  9. Marconi, deixa de besteira que graças a minha pessoa, voce passou de ano em matematica na 5ª serie. Isso ´´e despeito, quer dar uma de CDF mas todos vao ficar sabendo que vc filava tudo de mim.

  10. Marconi Leal · ·

    Não sei, mas desconfio de que Branco e Diego concordam com o adjetivo empregado, Tiago.

  11. Marconi Leal · ·

    Eu também, Cecília. Relaxo e aproveito bastante sempre que uso a caixa de comentários…

  12. Marconi Leal · ·

    Primeiro, todo mundo precisa ficar sabendo o que é “filar”, já que só no Recife ou em Machado de Assis, que eu saiba, se usa esse termo para “colar”. Depois, admito, é verdade que sempre filei de você, sobretudo em matemática. E o resultado é que hoje só consigo calcular usando os onze dedos das mãos.

  13. Um amigo meu visitou o “osviralata” e solicitou o envio de um livro, na faixa. Branco Leone, implacável, negociou:
    _ Tudo bem, mas tens que acusar o recebimento!

    Sei que meu amigo aprovou o livro, mas ficou ressabiado: “Ué, se eu pedir um (perdão) compêndio maior, qual outro crime terei que cometer??”

    P.S.: O tal Recebimento não faz parte do nosso círculo de amizades…

  14. Marconi Leal · ·

    Taí, Inaiara, sabia que Branco Leone tinha todos os defeitos deste mundo e ainda mais uns dois ou três do Além, agora desconhecia esse seu lado obscuro de delator. Lado obscuro, aliás, que Diego Jock deve conhecer.

  15. Só agora vi esse seu comentário.

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