CHEZ LES LEAL (3)

6. So Near, Yet Sofá

Eu sei, vocês não acreditaram. “Quanto exagero! Nossa, ele é desumano! Por que dizer barbaridades da moça, meu Deus? Ela é tão bonitinha, meiga e simpática. E ainda por cima tem olhos azuis. Uma moça de olhos azuis, imaginem, fazer isso por conta de uma bolacha!” Pois é, não os culpo. A culpa é de Walt Disney e dos irmãos Grimm.

Aí está, no entanto. A última fotografia, tirada momentos antes da câmera digital ser degredada para o congelador, registra a coisa de maneira inelutável: sou casado com uma descendente de poloneses. Vocês provavelmente desconhecem a genealogia dos grupos humanos em profundidade, de modo que informo: trata-se de um povo religioso ao extremo, seguidor austero da bíblia. Sobretudo, no Velho Testamento, da lei de talião.

De resto, podemos observar na imagem algo extremamente estarrecedor e revoltante. Mais estarrecedor e revoltante, digo, que o tamanho de minhas bochechas, o formato do meu nariz (ou aquilo é um jambo?), os pêlos de bunda de urso de minha cabeça e o dom performático que tem o meu rosto de mimetizar o assunto de meus sonhos (àquela noite, sonhava com capivaras, reparem).

Falo do resultado da incúria da juventude e do desprezo pela sapiência paterna, evidente no flagrante acima, ao menos aos mais sensíveis. Ao saber do meu noivado, o velho já me aconselhara: “Filho, prefira as búlgaras de bigode. São moças mais tratáveis”.

Que fazer? Isso que dá levar em consideração, na hora do casamento, momento tão importante na vida dos prisioneiros e forçados, fatores menores como amor, compreensão, carinho e outras ninharias.

Enfim, seja como for, a verdade é que não posso reclamar da vida que temos em comum. Até porque, se reclamar, apanho. Além disso, um relacionamento maduro precisa passar por cima de dificuldades de toda monta: desentendimentos, cobranças, ciúmes e sovinices. Particularmente a sovinice dos produtores de sofás de mola dura e pouco acolchoados.

Antes de tudo, na vida a dois, é necessário levar em conta sentimentos superiores e objetivos nobres, sagrados. Um paladar saciado, por exemplo. E vocês têm que experimentar a torta alemã que ela faz.

No final das contas, se estamos juntos é por algum motivo, pois, se está correto o axioma, Deus escreve certo por linhas tortas. E tenho razões de sobra para acreditar nele. Ainda que, desconfio, uma das linhas se chame coluna e seja justamente a das minhas costas.

28 Comentários

  1. Ah, perdi isso!!

  2. Em sua defesa – não que você mereça – devo dizer que o arroz com côco (olha o circunflexo, gente! tá errado mas é pra garantir…) ficou muito gostoso!

  3. aprontou————–>Sofá
    não aprontou———->Sofá
    pensou em aprontar—->Sofá
    aprontou no pensar—->Sofá

    Haja coluna

  4. Marconi, esses sapos verdes, ao seu lado, materializaram-se de algum conto dos Grimm?

  5. Não, Ramiro . É baba mesmo.

  6. Putz, o comentário daqui saiu lá… 🙂

  7. Ai, minha percepção é tão fraquinha… Podia jurar, pela feição, que o protagonista do sonho era um guaximim!

  8. Uai!! Sua camisa mudou de cor!!

    Marconildo DESLeal… Jamais, never, te convido de novo, novamente, outra vez, para comer pizza (ou qualquer outra “coisa”, pessoa ou comida) em casa!!! hhhuummmpppffff

  9. os panos eram brancos. ficaram verdes depois…

  10. rapaz, acabei dando o cano nesta festa por culpa do Lindemberg Eloá.
    mil perdões aos convivas.

  11. Acorda Marconi, acorda Marconi…
    porque hoje é sábado…

    AFORISMO RAMIRIANO
    by Ramiro Conceição

    Não há perguntas idiotas!
    Mas, sim, respostas idiotas!

    NUNCA MAIS
    by Ramiro Conceição

    Nunca mais,
    esses pássaros
    nesse ninho.

    Nunca mais,
    essa primavera
    nessas cores.

    Nunca mais,
    esses odores
    iguais.

    Nunca mais,
    nossas risadas
    por demais…

    Nunca mais,
    esse instante
    em palavras.

    Nunca mais!

    LUA-GOOGLE
    by Ramiro Conceição

    Na lua-google, escrevi novamente
    ― entre “aspas” ― o nome seu.
    E a busca, que não mente, qual sempre,
    respondeu-me que o seu amor, sou eu!

    Como consertarei tal desatino,
    se o coração é teimoso em ver
    a tua lua que flutua no caminho,
    a alumiar o sol do bem-querer?

    Existe somente uma saída:
    escrever um verso no cais,
    e lançá-lo aos outros mais…

    Assim talvez no tempo da Vida,
    deixemos a estrada do jamais
    e, enfim, nos tornemos REAIS!

  12. Marconi Leal · ·

    Diego, case com alguém de sangue polaco e recupere o tempo perdido. O espetáculo é quase diário, afirmo.

  13. Marconi Leal · ·

    A sílaba tônica, nesse caso, Edu, segue a regra da mudança constante por que passam os vocábulos através dos tempos. Por exemplo, em se tratando do “coco”, antes e depois de comer o arroz.

  14. Marconi Leal · ·

    Sou um caso típico de quinta-coluna, Guga. A caminho da sexta.

  15. Marconi Leal · ·

    Não sei, mas chegaram com o jacaré.

  16. Marconi Leal · ·

    Não babo, Guga. Impossível produzir saliva suficiente para preencher toda a extensão interior de minhas bochechas.

  17. Marconi Leal · ·

    Coisa feia dedurar as escapadas dos comentários, Regina.

  18. Marconi Leal · ·

    Capivaras, definitivamente, capivaras, Ina. Os guaxinins têm uma cara inteligente e são, a seu modo, bonitinhos. Além do mais, sobem em árvores com facilidade e a última vez que tentei fazer isso só conseguiram me desentortar sobre uma bigorna.

  19. Marconi Leal · ·

    Ué? Mas desse jeito, sem comida e sem sexo, vou acabar me sentindo em casa, Sandra.

  20. Marconi Leal · ·

    Isso mesmo, Serba. Beberam, passaram mal e vomitaram, tudo isso por influência da estante, que tem certa ascendência sobre os objetos da casa. Outro dia, por conta dela, o microondas fumou maconha. É no que dá o excesso de livros, veja você.

  21. Marconi Leal · ·

    Como assim? Pois eu jurava que o jacaré e os sapos tinham vindo justamente com você! Agora não entendo mais nada.

  22. Marconi Leal · ·

    Nunca mais tirar fotos de bolacha, nunca mais.

  23. Bonita festa, pá.

  24. O Ivan Lins vai te processar! Tens o direito sobre a imagem dele?

  25. Marconi Leal · ·

    Nem adianta insistir. Não vou convidá-lo para a próxima.

  26. Marconi Leal · ·

    Zezolin, em se tratanto de Ivan Lins, o problema não seria me processarem pelos direito de imagem e, sim, ser preso por uso de drogas!

  27. Putz, ainda bem que eu não estava nessa e vão vi essas coisas, ia ter que fazer terapia!!! Ué, eu já não faço???

  28. Marconi Leal · ·

    Emerson, faça como meu analista: desista da terapia enquanto é tempo.

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