O CASO MACDONALD

Desde que me entendo por gente (e existe quem não me entenda dessa forma até hoje), há três questionamentos de indizível importância que jamais me saíram da cabeça. Primeiro: haverá um sentido para a vida? Segundo: existirá vida inteligente em Oliver Stone? E, por fim: como o velho MacDonald perdeu sua fazenda?

Do ponto de vista teológico, após décadas mergulhado em textos acadianos e na liturgia em sânscrito, cheguei à conclusão de que três forças governam o universo como o conhecemos: Deus, o Diabo e o Partido Republicano.

Quanto à metafísica, gastei meu Wittgenstein, meu Schopenhauer e uma série de outros filósofos de nomes cheios de consoantes para concluir, sem o menor traço de dúvida, que, sim, existe vida após a morte – contanto, claro, que não seja você o morto.

Porém, no fundo de meu coração ainda hoje persiste a última dúvida, sem cuja solução jamais terei sossego: que espécie de catástrofe se abateu sobre o velho MacDonald que, como todos sabem, tinha uma fazenda, ia-ia-ô, e na fazenda tinha um cachorro, au-au, um porco, óinc-óinc, e um boi, muuu?

Não tenho muito mais conhecimento em economia do que qualquer idiota ou um economista do governo, mas algo me sugere que o velho Mac entrou na onda dos subprimes, a ganância lhe subiu à cabeça. Ou isso, ou aquele maldito porco fazendo óinc-óinc-óinc no pé do ouvido dele diariamente lhe comeu o que restava do juízo.

“O que restava”, digo, afinal de contas, que outra razão além da demência levaria um sujeito adulto e perfeitamente saudável a passar o dia cantarolando “ia-ia-ô”? Qual? Preparem-se agora para escutar a teoria mais revolucionária produzida até hoje sobre aquilo que os filósofos costumam chamar de Paradoxo MacDonald ou Teorema do Ia-ia-ô.

Segundo estipulo, o velho MacDonald está, na verdade, preso dentro de um compacto infantil da década de 40, sendo ia-ia-ô nada menos que uma palavra de encantamento (spell, do protoindo-europeu sp2l) que, repetida incessantemente, não lhe permite a fuga. Teorias quânticas dão cem por cento de suporte a essa minha hipótese. Pelo menos uma das 39 teorias quânticas que existem num dos 378 universos paralelos conhecidos.

Ora, foi pensando nisso que comprei esta semana um LP da Xuxa. Minha esperança: que o som igualmente mágico de ilari-lari-ê destrua o magnetismo de ia-ia-ô, libertando o velho MacDonald de seu horrendo cativeiro. O perigo, nesse caso, é que o choque de forças espirituais de tal monta acabe por liberar também Cid Guerreiro, que se encontra igualmente encapsulado no dito LP, e vai dando eternamente o seu alô.

De acordo com alguns físicos, há ainda o risco de eu virar um pastel de Belém com recheio de carne. Mas tudo pela ciência. Desejem-me sorte.

11 Comentários

  1. Muito bom, Marconi. Aliás, foi muito bom ver a sua conversa com o Nelson tb. Não dá para convencer o cara a voltar a escrever no Ao Mirante, não? Faz falta… Dá uma olhadinha nos meus humildes escritos no abicicleta.wordpress.com

    Abs

  2. http://www.aomirante.net/
    O Nelson continua firme, forte e teimando com os trocadilhos.

  3. Isso eh o que eu chamo de Teoria da Conspiracao! rsrsrs

  4. Ah, soh pra constar. Rachei o bico com “vc ja matou um artista pos-moderno hj?” hahaha

  5. Tu devias acreditar na vida após a morte, pois és a encarnação do Grouxo Marx.

  6. Marconi Leal · ·

    Pois é, e agora com livro na praça. Que é que vocês tão fazendo aqui que não estão comprando?

  7. Marconi Leal · ·

    Não acredito em teorias da conspiração, Mari. Não passam de uma armação do Coelho da Páscoa com um dos bonecos de Olinda que, contando com o auxílio de Bin Laden e do Papai Noel, tentam desestabilizar a OTAN e, por tabela, a civilização judaico-cristã ocidental.

  8. Marconi Leal · ·

    Rachou o bico? Dele? E aí, matou ou não matou?

  9. Marconi Leal · ·

    Não acredito em vida após a morte, Charlles, mas acredito que Groucho está se revirando na cova com teu comentário.

  10. Eita!
    Nessa foto aí não sou eu!
    Tu que ilustrastes? Não postei essa figurinha aí não…

  11. Marconi Leal · ·

    Não ilustrei, não. Acho que é um femômeno relacionado com o fim do mundo maia ou algo do tipo.

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