FICA, MANO

Ultimamente não tenho me dedicado a esporte outro além do xingamento de parlamentares a distância e o arremesso de fraldas sujas ao cesto. Cheguei, inclusive, a elaborar um mix das duas modalidades e inventar o arremesso de fraldas sujas em parlamentares – invenção que não teve futuro, porque, preconceituosas, as fraldas sujas se recusaram a se misturar com material de pior qualidade. (Pena. Já havia, inclusive, encomendado fraldas padronizadas, bordadas com a frase revertere ad locum tuum para o lançamento.)

Aliás, não é de hoje que invento modalidades esportivas. Todos hão de se lembrar do glorioso cooper etílico, esporte que não alcançou o desenvolvimento merecido graças ao pouco empenho das autoridades no patrocínio de combustíveis alternativos e ecologicamente corretos como o etanol.

E cheguei mesmo, juntamente com o Surdo do Cambuci, a criar novas regras para o futebol, como a de que o jogador tem direito a dar pelo menos um bofetão no árbitro em caso de dúvida sobre a marcação de uma falta, além do providencial “um minuto de insulto”, ocasião em que os adversários se perfilariam e trocariam elogios sobre os respectivos progenitores em momentos de maior tensão. Regras essas, acreditem, solenemente ignoradas pela International Board.

Nada disso, porém, me incapacita a comentar a derrota do selecionado nacional para a poderosa seleção paraguaia na Copa América.

Ora, sabia que o jogo seria duro, com a defesa adversária marcando firme e distraindo nossos atacantes com ofertas de tênis Nike e TV LCD pela metade do preço. E tinha plena consciência de que a tortura psicológica seria um componente explorado pelos paraguaios, com o cantarolar de guarânias ao longo da partida. No mais, convenhamos, quatro pênaltis são coisas que qualquer cego ou vesgo perdem cotidianamente, sem grande alarde.

Por isso mesmo, me junto ao coro dos que defendem a permanência de Mano Menezes no comando da Seleção. Sim, porque já há quem queira trocá-lo por pessoas menos capacitadas, como técnicos ex-campeões mundiais e vencedores de Libertadores, gente com anos de experiência na montagem de grupos vitoriosos.

Calma. É preciso lembrar que Mano tem, entre suas maiores conquistas, nada menos que um título da Segunda Divisão e, como se isso não bastasse, levantou o troféu da Copa do Brasil, competição só conquistada por times de ponta do nosso futebol, como o Juventude de Caxias e o Santo André.

Por que então agora, de uma hora para outra, resolveríamos trocar o duvidoso pelo certo, apelando para a meritocracia e fugindo às tradições que fizeram desse país o que ele é?

Basta. Chega de importar conceitos extrâneos como os de competência e bons serviços prestados. Contra tamanha afronta, venho a público lançar a campanha “Fica, Mano”. E quero crer que conto com a ajuda de todos vocês. Obrigado.

6 Comentários

  1. Sou a favor desta campanha. E clamo como auxiliar técnico o Adilson Batista ou o Ricardo Gomes.

  2. Sou a favor desta campanha. E clamo como auxiliar técnico o Adilson Batista ou o Ricardo Gomes. Ou o Falcão.

  3. no contramano da história.

  4. Marconi Leal · ·

    Apoiado.

  5. Marconi Leal · ·

    Já ouvi.

  6. Marconi Leal · ·

    E um bando de hermano rindo.

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