Categoria LÍNGUA E LITERATURA

OS MACACOS DO MUSEU BRITÂNICO

A maior revelação de minha vida (sem contar a de que os bebês não vêm do pólen das flores, mas sim, como é consabido, são trazidos por cegonhas) foi ler, na filosofia de Parmênides, que “o que é, é”. Imaginem vocês que até então jamais passara por minha cabeça que o que fosse era, muito […]

ANJO GUARDIÃO DA GRAMÁTICA

— Tô almoçando. Sim. Vamo se falando, tá bom? Vou desligar. Tudo bem. Tchau, tchau. — Vamos nos falando. — Meu Deus, que susto! De onde é que você surgiu? Que… que foi que você disse? — Disse que o certo é “vamos nos falando” e não “vamo se falando”. Isso daí é batata frita? — Eh, o politicamente correto. […]

POR QUE LER ALBANO MARTINS RIBEIRO

Brasileiros típicos e aplicados ao principal esporte nacional, a repetição de clichês, consideram, claro, a crônica um gênero menor. O 0,001% (arredondado para mais) da população que pensa, pelo contrário, observa que Machado de Assis fez pouco mais nos livros da maturidade que encadear crônicas — em que se exercitou com maestria por décadas, mas o brasileiro […]

VISITANDO MACHADO DE ASSIS NO INFERNO (CONTINUAÇÃO)

Apesar de tudo, a viagem foi tranquila. No primeiro círculo, puxei a cordinha e o barco parou. — Pra que lado? — perguntei a Borges. — Más allá del jardín de los senderos que se bifurcan — respondeu. Não o mandei catar coquinho porque não sei como é coquinho em espanhol. Por sorte estava com as ilustrações de Doré à mão […]

VISITANDO MACHADO DE ASSIS NO INFERNO

Já contei sobre o que me ocorreu no dia do centenário de morte de Machado de Assis? Se contei, repito, porque a memória de vocês é péssima. O que muito certamente decorre do hábito de lamber papel de seda. Segundo pesquisas recentes, o contato da saliva com o papel de seda é a segunda maior causa de perda […]

LITERÁRIAS

Lucano foi a primeira personalidade propriamente literária de que se tem notícia e o precursor do que conhecemos hoje como mundo artístico. Prova disso é que foi capaz de vender a própria mãe. *** Tenho um amigo que começa O Jogo da Amarelinha na página três, pula para o prefácio, lê as orelhas, vai à […]

ACORDO ORTOGRÁFICO

Não há lógica na vida, não há lógica na gramática — coincidência, aliás, que não deixa de ter sua lógica. Alguém saberia me dizer por que o sujeito não pode falar “um de maio” ou “um de setembro”? “Primeiro de setembro”, corrige o interlocutor. “E trinta e um de setembro?” “Pode”. “De maio?” “Também”. “Um, […]